Tenho-me perdido nos corpos para me desprender de ti. Mas quando volto, estás mais presente do que nunca.
Tenho-me desligado de toda a corrente que te me nos recorda do tempo em que a vontade de sermos era quase maior que o medo de partir depois. E quando penso, continuas totalmente presente e mais visceral que sempre. Tenho os cheiros alheios em mim, a ponta dos dedos ainda parece tocar outros tão intensamente, e o acre que entra nos meus poros, no cérebro, no estômago, nas pernas, no cabelo, nos pulmões, é teu (como pode ser teu se nunca o tive?).
Aperto-me.
Ajeito-me quando escrevo, não sei como te tirar daqui. Não sei como saber não te saber. Não sei como te empurrar (a vontade é empurrar-te com toda a força para fora daqui).
Aperto-me, roço o nariz nos braços para os manter em mim. Esquematizo planos para te empurrar, mas como se estás já lá no horizonte?
(Esquematizo para que tal como os outros corpos e os outros seres me vejas em toda a sensualidade que te tenho. Para que possas já saber quem é o que o homem deseja. Planifico, sonho, imagino todas as armadilhas que sei, mas contigo? Nem em imaginários arábicos te nos me posso fazê-lo. Nem em toda a maior problemática ou relativização da intimidade que tens hoje.
Abandono-me na intensidade do contacto com os corpos. Vou tal pássaro em rotas distantes. Percorro os continentes do outro hemisfério para te empurrar, mas quando volto, estás mais presente do que nunca. Sinto-os tactearem-me o ser e perco-me despida de tudo. Puxo-os com igual vontade à que te tenho. Aperto-me e roço o nariz nos braços para os manter em mim.
Por tuo amor, todo lo daría.
Conto os ponteiros sem saber fazê-los tão mais pesados quanto será a inconsistência de ti. Agora. És tão tudo aquilo que te encontro a esforço. E nada do que és para te empurrar o és no fim. És tanto, Deus te castigue.
Mergulho no azul e nado para longe. Nado tão longe quanto posso submersa e os meus olhos encontram paz. Por segundos estou fora do mundo. Deixo de existir. E que bom é nesse momento saber que aí (onde só a água, a areia molhada, os seres marinhos e todo o oceano existem comigo) posso estar num paralelo onde tudo onde nós fomos diferentes e deixámos o rio encontrar a imensidão é tão menos profano que as pequenas vitórias temporárias que há tanto me fizeram hesitar
Hesito
Hesito
Penso
Hesito
Soluço
Por tuo amor, todo lo daría.
Penso apenas saber que quando um dia vires todas as cores do mundo nos meus olhos como já viste tantas vezes e deixarmos a inconsistência daquelas pequenas vitórias temporárias, que vitória é trilhar o caminho longe e empurrando-te assim quando já ultrapassaste o horizonte e não te alcanço? o mundo será nosso.